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Igreja de
São Silvestre de Unhos

Loures

(…) que se vossa majestade prometesse levantar um convento na vila de Mafra, Deus lhe daria sucessão, e tendo declarado isto, calou-se D. Nuno e fez um aceno ao arrábido. Perguntou el-rei, É verdade o que acaba de dizer-me sua eminência, que se eu prometer levantar um convento em Mafra terei filhos, e o frade respondeu, Verdade é, senhor, porém só se o convento for franciscano, e tornou el-rei, Como sabeis, e frei António disse, Sei, não sei como vim a saber, eu sou apenas a boca de que a verdade se serve para, a fé não tem mais que responder, construa vossa majestade o convento e terá brevemente sucessão, não o construa e Deus decidirá.

Memorial do Convento, Editorial Caminho da 32ª edição.

Igreja Matriz de São Silvestre

Templo de uma só nave, com uma fachada seiscentista sóbria, torre sineira acimada por um coruchéu arcaico, distinguir-se na malha urbana pela monumentalidade, está classificada como Monumento de Interesse Público desde 2012. Confirma-se a sua existência já no século XIII, tendo sofrido melhoramentos e restauros ao longo dos tempos, nomeadamente após o terramoto de 1755, obras custeadas pelos pescadores. Ainda conserva alguns elementos anteriores como um arco gótico incrustado numa porta da sacristia. No interior, destacam-se os altares de talha dourada do século XVIII, a imagem da Pietá dos finais de século XVII, e os distintos painéis quinhentistas com cenas da vida de São Silvestre atribuídos ao Mestre de São Quintino, também conhecido por Diogo Contreiras. O retábulo da Igreja de São Silvestre de Unhos, de sua autoria, resulta de uma encomenda datada de 1537, do Duque D. Teodósio I e da Casa de Bragança. Do referido retábulo, possivelmente destinado ao altar-mor, existem quatro tábuas com cenas da vida de São Silvestre acompanhadas por duas predelas com imagens dos apóstolos. Subsiste um outro grupo de quatro painéis de um segundo retábulo, talvez destinado à sacristia, com representações de São Roque, São Pedro, São Brás e São Sebastião, pintados numa fase mais tardia, talvez entre 1560-1570. No exterior do templo destaque ainda para o cruzeiro.

Poço Manuelino

Este magnífico poço manuelino pode corresponder a uma referência nas Memórias Paroquiais de 1758 que descreve a existência de um poço chamado do Concelho de Lisboa, pois Unhos pertencia ao Termo desta cidade, o qual era procurado por muita gente uma vez que se acreditava que a sua água continha propriedades medicinais. Esta água servia para obstruções de pedra e até o Cardeal e Patriarca Tomás de Almeida a consumia quando estava em Santo Antão do Tojal. As Memórias Paroquiais mencionam igualmente a existência de um outro poço, localizado no interior da igreja, mas já entulhado em 1758, cuja água era boa para febres malignas e sezões.

O Porto de Unhos

Dizem-nos as Memórias Paroquiais que Unhos “He Porto de mar que consta de vinte Barcos de pescadores, mas não tem mais perfeição a que lhe deu a natureza, e pode ainda admitir outras tantas e mais embarcações da mesma qualidade.” Embarcações de pesca como a muleta ou o batel seriam frequentes nestas paragens, assim como outro tipo de barcos destinados ao transporte de pessoas e mercadorias como os cacilheiros, muito utilizados no transporte de sal. Na mesma época, no século XVIII, existia na Matriz de Unhos a Confraria de São Pedro composta por pescadores, o que afirma a sua relevância na comunidade. A Calçada de Santo António conduzia, no século XVIII, ao rio Trancão e à zona onde os barcos atracavam.